segunda-feira, 9 de junho de 2008

change: can we believe in?

faz este ano, respetivamente, 40 e 45 anos que foram assassinados Robert e John F. Kennedy. traziam com eles a promessa de mudança. um morreu na corrida, o outro já no seu posto de Presidente americano.

uma América quer mudar, anseia que a oiçam, grita que a vejam.
mas uma outra, subterrânea, oculta, poderosa, impede que o sistema seja alterado por dentro.
dos três candidatos atuais à Presidência, um faz da mudança o lema e a bandeira. o outro é um velho surdo físico e mental. e finalmente a outra, se nomeada vice-presidente, pode bem vir a ser a primeira mulher Presidente dos Estados Unidos da América do Norte.
pois. é que eu não sei se as armas silenciosas e cobardes se calaram para sempre. se a América amadureceu o suficiente para tamanha mudança.
mesmo que Obama ganhe folgadamente os votos da América. da que deseja mudar, bem entendido.
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nota: é claro que falhei rotundamente na previsão do vice-presidente. mas será que falhei no resto da profecia?
imagem: www.javno.com

quinta-feira, 29 de maio de 2008

petição

a todos os falantes da Língua, europeus, africanos, americanos e asiáticos:

o Acordo Ortográfico agora ratificado prevê um inexplicável prazo de 6 anos para a sua efetiva implementação prática generalizada.
como muitos outros apoiantes incondicionais do AO, sou de opinião de que não há mais tempo a perder, nem paciência para mais entraves. desse modo, subscrevi, em 154º lugar, a seguinte Petição, do Movimento Internacional Lusófono (MIL).



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nota: não peço opinião sobre o AO, porque é assunto encerrado.
peço, apenas, que assinem a Petição se concordarem com ela.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Portugal na Commonwealth

em Portugal, a partir do próximo ano letivo, ou seja, já a partir de setembro que vem, o ensino do Inglês passa a ser obrigatório desde o primeiro ano do ensino básico.

ena! nos Países da Commonwealth não se faz mais. nem melhor.
e sempre ficamos na companhia da Zâmbia, do Quénia, do Maláui e do Zimbabuè. por exemplo.

a propósito: onde está o "patriotismo" dos que assinaram a petição contra o Acordo Ortográfico? é que não enxergo neles qualquer incómodo pelo ensino obrigatório do Inglês a crianças portuguesas a partir dos seis anos de idade. pois, para quê o Acordo Ortográfico? o Inglês chega bem...

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ps: dois dias depois de ter escrito esta postagem, mais uma notícia encorajadora: o serviço de correio eletrónico do corpo diplomático sediado em Portugal passa a fazer-se em Inglês! e viva o velho. somos um Estado Europeu com oito séculos de História, um povo vaidoso da sua Língua e senhor de si. está-se a ver.
mas que merda é esta?

quinta-feira, 15 de maio de 2008

calvinismo moral fundamentalista

vivemos numa sociedade fundamentalista, intransigente e intolerante, e é tudo.
a mim não me faz diferença nenhuma que o primeiro ministro fume no avião, na cama, na banheira ou noutro sítio qualquer. é lá com ele. os jornalistas que o acompanham é que não têm defeito nenhum, não cometem erros, não fumam, não bebem, não comem, não nada. bufam. são umas florinhas de estufa, uns beatos, uns santinhos insípidos.
mas, é claro, o senhor primeiro ministro, que é fumador, é também, o secretário geral de um partido que pariu a lei mais intransigente que alguma vez houve em Portugal, desde 1140.
mas pior que tudo isso foi o pedido de desculpas e a promessa de deixar de fumar. essa atitude seráfica de cedência, de falta de brio e de personalidade vai custar-lhe caro. calou os fundamentalistas e os jornalistas mas perdeu a face. acanhou-se. não gosto de primeiros ministros assim.
e não estaremos numa sociedade em que os pedidos de desculpa se estão a tornar demasiado vulgares?
isto escrevia eu ontem.
mas, como era de prever, os fundamentalistas não se deram por satisfeitos. querem o primeiro ministro na praça pública. querem sangue e cheiro de carne assada.
e - pasme-se a loucura em que estamos mergulhados! - vem agora o primeiro ministro indignar-se com o calvinismo moral fundamentalista daqueles que lhe não perdoam os cigarros que fumou durante o voo para Caracas.
senhor primeiro ministro, esse é o resultado dos seus namoros com essa gente, calvinista para umas coisas, laxista para outras. entre a série de leis dispensáveis a que o senhor deu o seu aval político está a lei antitabágica mais calvinista da Europa. a qual vai conduzir, inevitavelmente, a que sejamos o país do mundo com os mortos mais felizes, mais saudáveis e de melhor qualidade de vida.
mas não tem sido o senhor a abrir todas as caixas de Pandora que lhe põem na frente? agora queixa-se de quê?

quarta-feira, 14 de maio de 2008

os medicamentos e a doença mental

hoje em dia toma-se por causa das doenças mentais, psíquicas e do ânimo, como queiram, um conjunto de processos bioquímicos implicados no modo de ação dos psicofármacos. quero dizer, o doente - diz-se - está doente por causa da serotonina, da noradrenalina, da dopamina, da acetilcolina, etc., etc., as quais não se encontram na concentração normal naqueles locais onde se dá a neurotransmissão. e para confirmar tamanha certeza lá vêm os artigos científicos explicar que este medicamento ou aquele interfere no processo bioquímico da transmissão do estímulo nervoso, fazendo repôr, ou imitando, o normal funcionamento da neurotransmissão dos estímulos.
com o devido respeito, o raciocínio em causa confunde tratamento com doença e doença com tratamento.
antes dos psicofármacos, tratava-se doenças psiquiátricas com choques insulínicos, sem que a insulina tivesse nada que ver com a doença mental. alguns doentes ainda hoje são tratados com eletrochoques, sem que se possa dizer que a doença mental é provocada por falta de eletricidade. mais atrás, tratava-se algumas agitações e inquietudes com banhos de água fria. e daí tamém não se podia concluir que a doença mental fosse provocada por falta de água fria.
dizendo de outra maneira: os medicamentos da psiquiatria são sintomáticos e inespecíficos. como a aspirina para a febre. o mecanismo de ação da aspirina nada tem a ver com a causa das doenças que provocam febre.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

O Dicionário do IDT

o Instituto da Droga e da Toxicodependência acaba de dar à luz um manual a que deu o nome pomposo de Dicionário de Calão, o qual não é nem dicionário nem de calão, mas apenas um Vocabulário da Gíria dos Toxicodependentes. não entendo a iniciativa nem a sua utilidade. se é para os técnicos do Instituto mais facilmente poderem descodificar a gíria dos seus utilizadores, o dito Vocabulário bem podia ter ficado no interior dos gabinetes do Instituto, para proveito e exemplo de médicos, psicólogos, assistentes sociais, sociólogos, antropólogos, secretárias, telefonistas, seguranças e técnicas de limpeza.
mas não é assim. a coisa fia fino. destina-se especificamente a jovens de idade superior a 11 anos...

...e estava eu escrevendo estas notas e zás!, o IDT desativa o "dicionário".
fez bem. mas teria feito ainda melhor se não tivesse tido necessidade de fazer bem.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

quatro mil contra o quê?

diz-se que corre por aí uma recolha de assinaturas contra o Acordo Ortográfico. e que já recolheu quatro mil assinaturas. pasmo:

- são quatro mil que acham que um Acordo Ortográfico vai mudar a maneira de falar,
- são quatro mil que pensam que se vai escrever "fato" em lugar de "facto",
- são quatro mil que julgam que o Acordo Ortográfico obriga a dizer "ônibus" em lugar de "autocarro", ou "celular" em lugar de "telemóvel",
- são quatro mil que julgam que a Língua Portuguesa é propriedade deles,
- são quatro mil analfabetos culturais que, na sua maioria, nem escrever sabem pela norma cessante,
- são quatro mil ignorantes,
- são quatro mil tristes.

perdão:
- são meia dúzia de pedantes,
- são meia dúzia de pequenos empresários livreiros com medo do Universo da Língua Portuguesa,
- são meia dúzia de atrasos de vida de que o país prescinderia com vantagem,

mas que estão dispostos a pôr o diabo em tribunal e deus na inquisição.

o pior é que se o Acordo Ortográfico falhar, falhamos todos nós: aqueles que assinam a recolha de assinaturas e a esmagadora maioria do País que não assinou coisa nenhuma.

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nota posterior, em 17/05:
afinal, não foram só quatro mil. foram trinta e três mil. a mesma meia dúzia de pedantes e pequenos empresários livreiros, com mais uns quantos basbaques para fazer a conta final. um folclore patético e parolo.
felizmente, o Acordo Ortográfico passou no Parlamento com uma folgada maioria e os votos contra dos patrioteiros do costume.
agora já posso dizer: a minha pena é que o Acordo seja tão minimalista.