terça-feira, 19 de novembro de 2013

sugestão em forma de apelo

na minha humilde condição de português em grande, daqueles que veem o mundo pelo lado do que existe de comum;
na minha ainda mais humilde condição de galego da Grande Galiza, ou seja, de português do Grande Portugal: 
venho sugerir e apelar a que: 
- as editoras portuguesas, pelo menos as do Norte, e com especial incidência as do Porto, publiquem na nossa ortografia comum, que é a do Acordo Ortográfico de 1990, os texto, os livros, os romances, a ficção, as poesias dos autores galegos reintegracionistas ou simpatizantes do reintegracionismo, evitando assim que muitos deles tenham que se sujeitar aos ditames das editoras galegas submissas à “norma” da RAG; 
- os autores galegos reintegracionistas ou simpatizantes do reintegracionismo, sempre que constrangidos pelas editoras galegas a publicar os seus textos na “norma” da RAG, procurem editoras portuguesas, em especial as do Norte, para divulgação das suas obras.

não sei o que esta sugestão tem de inexequível, porventura de demasiado sonhadora. 
sei que todos ficaríamos a ganhar. 
as editoras portuguesas, e sobretudo as do Norte, pela riqueza intelectual, cultural e artística que os autores galegos aportariam para o seu catálogo; 
os autores galegos pela visibilidade mundial que lhes traria a sua publicação na forma escrita internacional daquela que é a sua e a nossa língua. 

não sei o que esta sugestão tem de inexequível, porventura de demasiado sonhadora. 

mas um dia virá.







sábado, 14 de setembro de 2013

os independentistas maus e os bons independentes

de um modo geral, salvo honrosas e escassas exceções, a imprensa, a blogosfera e as "redes sociais" estão um susto. incomentáveis. de entre o que hoje li, vi e ouvi, apetece-me falar de uma espécie de opinião, segundo a qual "a independência da Catalunha não é um problema de Espanha, mas sim europeu, logo nosso, e um sinal da arrogância dos ricos em relação aos mais pobres".
compreendo. a Espanha não é uma manta de retalhos histórica, linguística e cultural como a Jugoslávia, nem pensar nisso. logo, a Croácia, a Eslovénia, a Bósnia e a Macedónia (Skopje) não deveriam também ser independentes. sobretudo a Eslovénia e, à escala, evidentemente, a sua "arrogância de rica". além disso, tal como na Jugoslávia, em que os novos estados independentes não têm fronteiras naturais entre si, em Espanha também não existem fronteiras naturais (seja isso o que for) com nenhuma das realidades nacionais presentes no Reino e, vejam lá, também não as tem com Portugal, que, por sua vez, tem um direito à independência que as outras realidades nacionais de Espanha (quer dizer, da Península Ibérica) não têm.
já quanto à arrogância dos ricos em relação aos mais pobres, como uma excelente razão para não se ser independente, acho que está na hora de os estados mais pobres da Europa retirarem a independência à Alemanha, à Suécia, à Noruega, à Dinamarca, à Finlândia, ao Luxemburgo, à Bélgica, à Holanda, sei lá.
e então, sim, ficava tudo a bater certo e exterminava-se a arrogância dos ricos em solo europeu. finalmente, não nos compete a nós pronunciar-nos sobre uma questão que só diz respeito a um único povo: o Catalão. nem tampouco aos restantes espanhois. a independência não se dá, conquista-se. e não me consta que os "espanhois" fossem ouvidos a respeito da independência de Portugal. os catalães querem ser independentes? estão no seu pleníssimo direito. tudo o mais só depende deles.

uma nota final:
é curiosa a argumentação segundo a qual os povos ricos não têm direito à independência porque têm o dever de solidariedade com o todo do qual se querem separar. é que se o povo for pobre também não tem direito à independência porque tem falta de "viabilidade económica". isto é, ninguém tem, pelo menos hoje, o direito a autodeterminar-se e a ser independente. assim como está é que está bem. ou seja, conservadorismo radical. já agora, o que significa, afinal, ser independente no contexto europeu? no caso da Catalunha, do País Basco, da Escócia, entre outras realidades novas que se perfilam no horizonte, não significará tanto o desejo de isolamento e auto-suficiência, mas a vontade de participar de direito próprio e em igualdade de circunstâncias com os restantes estados europeus no projeto da União Europeia, sem a intermediação de realidades políticas que os exploram e oprimem.

sábado, 17 de agosto de 2013

neojornalistas?

há uma certa clique jornalística, aparecida não sei de onde, que descobriu os encantos do empobrecimento e da miséria de muitos e da opulência de poucos, da exploração e do individualismo mais egoísta e insolidário. começa a ser penoso ler certos jornais ou assistir a certos comentários na televisão. e eu, que cresci num mundo igual ao que eles querem implantar, começo a sentir-me um extraterrestre. acho que o meu mundo se não morreu está em vias disso. e é que não tenho possibilidade de entender-me com o mundo que me querem impingir. 


até há pouco, havia aqueles neojornalistas que, pela sua manifesta indigência intelectual, nos inspiravam pena ou até vontade de rir. mas agora eles cresceram como cogumelos e têm uma prosódia um tudo nada menos cretina, mais elaborada. a minha questão é: se esta gente não foi recrutada de entre os alunos menos classificados e mais cábulas dos respetivos cursos universitários, que universidades os formaram? que professores, até agora ocultos, lhes incutiram semelhante ideologia? que diabo de escolas temos nós?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Poemas dos anos 90 - (6)

Poema 6

"não sei de melhor remédio para a dor
que não ter dor.
não tenho sono nem deixo de ter.
antes quero estar assim,
meio a não ser,
entre dormir e não dormir,
entre falar e estar calado,
entre sonhar e ser sonhado...
e se a minha poesia
te perturba,
deixa-me em paz
e vai dar uma curva".

José Cunha-Oliveira

Poemas dos anos 90 - (5)


Poema 5

tenho muito mais fome
do que um home
e 'inda só passaram dez minutos
desde a última vez que pensei nisso.
não te preocupes
porque não tens nada com isso.
se te doi a cabeça
deixa de ler
até que esqueça.


José Cunha-Oliveira

Poemas dos anos 90 - (4)

Poema 4 

"apetece-me presunto com melancia
mas para fazer o molho
era preciso
não me ter esquecido da almotolia.
sendo assim,
saia uma sande de presunto.
ou tu me respondes
ou eu pergunto.
vai dar uma volta ao bilhar grande,
enquanto eu trato da verruga
do ti Alexandre.
ó pai!...
não está bem? então não sai,
e não chateies ninguém.
'tá mal?
ora lê lá a poesia,
lê lá...

José Cunha-Oliveira

Poemas dos anos 90 - (3)

Poema 3

"tenho um poema muito sério
para fazer,
mas isso é um grande problema,
pelo menos para mim.
a bem dizer,
não sei se hei de dizer
aquilo de que me vou esquecer
ou se me hei de esquecer
daquilo que vou dizer,
porque diga ou não diga
doi-me na mesma a barriga.
pensei melhor...
vou ficar calado
e fazer um poema só pensado.
assim tu lês
e penses o que pensares
tanto faz que aceites como não
porque o poema não é meu
é teu..."

José Cunha-Oliveira