segunda-feira, 1 de junho de 2015

bancos alimentares


o Estado leva-nos 40% ou mais do que ganhamos, supostamente para levar a cabo políticas sociais, de redistribuição da riqueza e de erradicação da pobreza. 
as grandes superfícies comerciais levam o lucro do que lhes compramos, seja para nós seja para dar de esmola. e o Estado cobra o respetivo IVA. 
e vejo com revolta que toda a gente continua a cair na esparrela. que os "bancos alimentares" ou lá que é, continuam estacionados nas grandes superfícies comerciais, colaborando no lucro dos hipermercados e do Estado e explorando o sentimentalismo do cidadão comum. 
e, é claro, com a nossa esmola nem resolvemos a fome dos esfomeados nem tiramos os pobres da pobreza. 
comida a ração que lhes toca da nossa dádiva, voltam de imediato a ter fome e continuam tão pobres como dantes. 
a solução da pobreza é política, dá trabalho, pelo menos obriga-nos a votar de maneira a correr com as cabeças do sistema. 
talvez não estejamos para isso. entorpecer a consciência é o que está a dar. 
damos a nossa esmolinha. não tiramos ninguém da pobreza nem da fome, damos a ganhar às grandes superfícies e ao Estado. 
e assim é que está certo. somos uns trouxas.

PS: às vezes apetece fazer como Jesus Cristo e correr à chicotada os novos vendilhões do templo...



sábado, 1 de novembro de 2014

requiem

"requiem" quer dizer "descanso" e consiste num cerimonial e numa música destinada aos mortos recentes, acabadinhos de morrer ou mortos há poucos dias.
vem da ideia de que morrer é descansar.
infelizmente, é um descanso muito cansativo, como estar de férias mais de três semanas seguidas.
por isso, os mortos ao fim de trinta dias devem ficar fartos de tanto descanso. digo eu.
e se virmos que se trata de um descanso eterno, a coisa torna-se uma condenação, uma pena perpétua propriamente dita. um inferno.
podia haver uns intervalos de vez em quando. uma espécie de jubilação com direito a fazer uns biscates. sempre era mais animado.
deus, vê lá isso...



quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Francisco e o Big Bang

o papa Francisco diz que o Big Bang não é incompatível com as teorias da criação e que estas não são incompatíveis com as teorias da evolução, que deus não é um mágico com uma varinha de condão.
e eu acho que o Papa Francisco tem razão. 
Big Bang e criação divina são a mesma crença por palavras diferentes. ambas acreditam que do nada se criaram todas as coisas. acho até muito interessante a discussão entre as duas correntes de pensamento, que, acreditando na mesma coisa, disputam entre si apenas por palavras. 
e eu nisso sou um ignorante. nem sei se do nada se criaram todas as coisas ou se todas as coisas aparentes se criaram a partir de um tudo que não para de mexer e remexer. um tudo de onde tudo sai. um tudo que é a inteligência e o plano arquitetónico de si próprio. 
se é deus ou não deus pouco me importa. é uma questão de palavras. sei que cada uma das partes tem os seus teóricos, sacerdotes e papas. Hawking de um lado, Francisco do outro. mas muito mais perto do que se podia imaginar. 
o que me admira não é que Francisco diga o que diz. o que me admira é que certa ciência o não veja e se contente com uma explosão de coisa nenhuma.
já tenho escrito sobre isto por mais que uma vez. e quanto mais escrevo e penso, mais me convenço.



quinta-feira, 16 de outubro de 2014

a chuva e o sol


chove se deus a dá. 
não, não vou queixar-me da chuva. 

vou dizer que ouvi-la cair me faz bem. gosto da música da chuva, adoro ver chover para lá da janela. mas isso é de dia. à noite gosto é de a ouvir. 
acho que as árvores, a relva e os arbustos gostam da chuva de outra maneira, gostam de senti-la na pele, bebem-na, sorvem-na. 
pouco me importa quem anda à chuva. uns andam porque gostam. outros porque são obrigados a apanhar com ela. esses são os únicos que a detestam. 
por mim, gosto da chuva. até mesmo da sonoridade da palavra "chuva". 
ah, é claro, também gosto do sol. mas isso é de dia. de noite não dá jeito nenhum.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

sexualidade e doentes mentais

faz-me alguma confusão. uma mulher débil mental aceita um rendez-vous com um sujeito, tão pouco ou pouco mais dotado do que ela. 
como foram vistos por um curioso sensível, o pobre sujeito leva com um processo de abuso sexual. 
a mulher toma contracetivos orais para evitar engravidar em rendez-vous do género. 
falamos dos direitos dos doentes mentais a propósito de tudo e mais alguma coisa, incluindo à vida sexual. 
mas por tudo e por nada andam em bolandas com a justiça. 
macacos me mordam...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

denúncia anónima

a denúncia anónima vem, geralmente, de alguém muito próximo, conhecedor e quiçá participante dos segredos do denunciado, alguém, que, pelas múltiplas e variantes circunstâncias da vida, se sente prejudicado, preterido ou, eventualmente, humilhado pela pessoa que denuncia.  alguém que continua a tratar o denunciado como "amigo". a desculpa para o anonimato da denúncia é basicamente a mesma: o receio das retaliações. o que, é bom de ver, acaba de acontecer com a própria denúncia.
o que têm as denúncias anónimas é que nunca são inocentes nem desprovidas de alguma espécie de motivação pessoal. o que importa não é o apuramento da "verdade", seja ela o que for, o que importa é tramar o denunciado.
as denúncias anónimas são por vezes abundantes em pormenores, porque o denunciante está muito por dentro da questão, e os factos denunciados têm a caraterística de parecerem muito mal, independentemente do seu enquadramento jurídico, ético ou moral.
mas o que a denúncia anónima nunca deveria ter é aceitabilidade. é uma cultura que deveria ser banida de uma vez por todas. denúncia anónima deveria ir, pura e simplesmente, para o lixo. quem tenha factos para revelar, quem tenha algo a denunciar que dê a cara. sempre as coisas pareceriam mais sérias e verdadeiramente mais interessadas em banir a corrupção do que, simplesmente, em dar cabo da credibilidade e da vida pública do denunciado.
é claro que isto vem a propósito de acontecimentos recentes. mas também vem a propósito de muitos outros acontecimentos mais antigos.

domingo, 10 de agosto de 2014

Hegésias de Cirene e a morte dos outros

Hegésias de Cirene achava que a felicidade é um objetivo impossível, pelo que as pessoas sensatas o melhor que têm a fazer é livrar-se da dor e do sofrimento, nada havendo melhor do que a morte. 
assim, levou muitos jovens ao suicídio. 
tendo chegado aos 80 anos da sua vida, perguntaram-lhe por que razão não fazia ele aquilo que pregava. 


a resposta não se fez esperar: 
- sou o único grego que pode conduzir os jovens ao prazer delicioso da morte. se morro, ninguém tomará o meu lugar...